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João Vasconcellos

É monstruoso viajar no Absoluto, objectivo longínquo, e só receosamente nós o faríamos. Apesar disso deixamo-nos arrebatar pela pintura de João Vasconcelos, exposta pela segunda vez em Lisboa.

Ele mostra-nos as suas vastas esferas, o seu universo cheio de esperança, o seu mundo, do qual retira a força que lhe confirma o direito à Existência.

Ele aproxima-nos daquilo que nós procuramos, desconfiados, hesitando, diminui a distância que separa, e pelo caminho surpreende-nos com estações cintilantes que nos forçam a parar e a ficar.

Mas até mesmo dos satélites velozes nós saimos sem esforço, e penetramos confiantes nas órbitas dos astros mais longínquos. Espontâneamente eles abrem-nos as suas fronteiras rígidas, assimilando-se a novos esferóides.

Nesses lugares sente-se o terrestre.

Quando nos julgamos sem peso tocamos a terra; quando procuramos água, encontramos lágrimas; quando sentimos fogo, é amor; quando nos julgamos abandonados, encontramo-nos a nós próprios. O Ignorado deixa-se descobrir, o Oculto torna-se familiar, o Introvertido Extrovertido.

A pintura cósmica de João Vasconcellos concretiza, person ifica, o Todo. É missionária. Traz para a nossa atmosféra terrestre meteoros cuja luminosidade recebemos, cuja harmonia das esferas nós podemos captar. É Reflexo por Associação. É Humanização do Cosmos, um Universo Terreno.

Gertrud Balig-Junker

 

 

 
 
 

 

 

João Teixeira de Vasconcellos, nasceu em Gatão, a 23 de Setembro de 1926. Expôs na Galeria Alvarez-1964 (colectiva); Galeria Divulgação-1965; Cooperativa Árvore-1967 (colectiva); Galeria Alvarez-1968 (c/ Justino Alves); Museu Amadeo Sousa Cardoso, Amarante-1968; Exposição Homenagem a Amadeo Sousa Cardoso-1969; Galeria D-1971