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de João Teixeira de Vasconcellos
A fluidez do espaço. "Os maravilhosos edifícios do impalpável", de Baudelaire. E uma porta aberta para qualquer abismo delicioso. O abismo não pressupõe forçosamente escuridão. Nada se conhece do nosso espantoso universo. Mas há portas abertas.
Algumas janelas abertas estão em nossa presença. A pintura é uma janela aberta. Para a imensidão do Universo? Para o Infinitamente Pequeno? Para ambos.
A eterna dualidade do Mais Infinito - Menos Infinito. E os infinitos de nossas mentes. De nossos sentimentos. De nossos actos. (Aqui se pode pensar em abismos.)
Nada se constrói sem cor. A cor circunda e ciranda ante nossos olhos. Deslumbra-nos. Daí o deslumbramento da pintura. Contraponto de cor e de espaço. O tempo eterniza-se: Fica como que petrificado num Instante. De Boticelli a Manessier. De Giotto a Miró.
Nesta pintura - a de João Teixeira de Vasconcelos - a cor dilui-se, por vezes, torna-se ténue, vibrátil. Uma vibração tão aguda que não pode deixar de fazer criar uma enorme emoção. Toda ela é emoção. E, quando a cor se enche, a emoção vibra noutra dimensão. Transfigura-se.
As aguarelas e os óleos. E as colagens? Vivências de violência da vida moderna. "Blow-Up" de frenesis incontidos. Mas magistralmente "parados" como se o tempo não existisse
mais. Fluxo e refluxo de um mar onde a espuma, o azul, e o movimento nunca mais estivessem à espera do
próximo praiamar.
O Marão está quase sempre presente. É como um, fantasma na paleta do artista. Uma presença. Uma enorme esperança. Um espantoso delírio. Sempre dionisíaco, celebra a festa báquica de força crómática.A janela está aberta - como na 7.a Sinfonia de Beethoven, o Universo expande-se magestàticamente para além do Infinito.
António Pinheiro Guimarães 7-3-72
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