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Eis entre nós a obra de Mareei Robelin, pintor já distinguido
em França com o Prémio Réalités Nouvelles 1971.
Os seus quadros não são fruto do acaso, mas resultam de
um longo e paciente trabalho de meditação sobre a matéria.
Matéria que é simultâneamente exterior e interior, como a dos
alquimistas, dizendo respeito à obra e ao caminho daquele que a
realiza. O próprio Robelin confirma o paralelo -que à primeira vista
pode parecer estranho- ao dizer que um dos seus quadros
representa o Yin e o Yang da tradição hermética chinesa.
O ponto de partida é o círculo, simbolo de unidade e perfeição.
O círculo é a matéria prima, é o caminho que tem de percorrer, e
Robelin fá-lo explodir em formas e em cores, para respirar nele
mais livremente.
Assistimos, ao contemplar as obras, a um processo de mutação
e enriquecimento semelhante ao que se verifica na alquimia.
Percorre-se um caminho, transmuta-se uma matéria fisica e
psiquica, destrói-se parcelarmente o uno para chegar de novo
à perfeição.
Destruir faz parte do verdadeiro processo criador. A forma a
que se chega tem de ser conquista pessoal, e não fórmula aceite.
Por isso Robelin, embora inscreva os seus quadros num circulo,
forma de máxima perfeição, os rebenta por dentro.
Não interessa uma forma perfeita (mas vazia), não intereressa
a forma: "esquecendo a forma, volta-te para o interior", diz
um antigo tratado de alquimia chinesa.
E Robelin assim faz. Preenche a forma com os seus
conteúdos pessoais.
Parte do círculo, que vemos ainda inteiro nas obras de 1970,
para seguir lá dentro o seu caminho: solitário, como o caminho de
um homem em viagem.
Mas libertando o espaço a que se aspira.
Y. K. Centeno
Lisboa, Outubro 1972.
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