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A cultura de Federico Regoli ressalta à primeira vista comtodas as suas implicações: constitui, digamos, um suporte fun-damental e, ao mesmo tempo, um contraponto da sua activi-dade criadora: e pode supor-se que deverá ser o trampolimpara qualquer proposta e qualquer operação futuras.
O itinerário do escultor, como se deixa ver pelas obras destaexposição, tem a sua nascente' em posições análogas àquelasem que se encontraram o Viani da última fase (para citar umitaliano) ou o Moore dos anos 50 (para nos referirmos a ummestre de mais vasta notoriedade internacional); e é fácil, poreste caminho, remontarmos a experiências mais longínquas,como foram as de Brancusi, de Arp e do próprio Modiglianiescultor (ao qual nos reporta directamente, pelo menos em umadas suas angulações ou projecções, "A Prisioneira"): o objectoque o artista constrói tem ainda precisas referências ou alusões antropomórficas, e a sua aspiração ao acabado ou fechado, se bem que registada com a alternativa de sinais contrários (côncavo e convexo; cheio e vazio, com igual alcance plástico), consegue exprimir ainda, por meio de nexos consecutivos, si-gnificados, símbolos, cargas eróticas, saltos e equiescências ideológicas ou formais; com uma perfeição (ou "polidez", para usar um termo mais próprio da escultura) para a qual concorrem quer a iluminação, com a sua dialética de percursos deslizantes sobre as superfícies e de interrupções e vibrações sobre as porosidades naturais da matéria, quer a calculadíssima dosagem das escolhas cromáticas.
Neste aspecto, é particularmente intuível a vinculação do artista a uma "tradição" ou, como se diria na classificação antiga, a"uma escola". O seu diálogo com a matéria é de extracção italiana. A matéria determina os resultados finais sem se deixar trair, mistificar ou metamorfosear; é, por assim dizer, sentida no seupeso, nas suas tensões, nas suas resistências, na sua disponibilidade para impor as formas pertinentes, segundo um processo lógico estrutural que é típico da escola italiana em todos os tempos e que encontrou, até nos artistas contemporâneos, protagonistas, com uma gama extraordinária de novos materiais. Se observarmos o comportamento do artista frente aos diversos condicionamentos dos materiais apercebemo-nos deque a sua fantasia unificadora nunca os atraiçoa; quer use o mármore, a pedra, o metal; quer mesmo no consentir de sobreposições de ordem complexa: isto é, trate-se de superfícies vibráteis de condução contínua ou de explorações do cavado para revelação dos núcleos estruturais. Veja-secomo exemplo limite o caso do poliester: matéria sentida por Regoli na sua maleabilidade e ductilidade de fusão, jáe m função de uma cor que brota do interior.Como resultado, os objectos reunidos nesta exposição,qualquer que seja a alusão dos seus títulos a pesquisasde ordem psicológica e intelectual, encontram a sua qualificação precisamente no seu limite, que é a "species": uma elegância que se sente confinada por certas regras de prudência, aquém da prevaricação gestual. numa consciência precisa e firme do ofício, no sentido mais nobre da palavra
Ricardo Averini
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