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Alfredo Queiroz Ribeiro

Sendo a minha formação básica de escultor e estando alguns dos meus trabalhos gráficos quase em conflito, para não dizer desligados da minha escultura, há qualquer coisa que cabe aqui ser dita.

Metade das esculturas com que sonhei nunca vi realizadas. Umas por nunca terem ultrapassado uma fase prematura de elaboração, outras meramente por razões de ordem prática ligadas a circunstâncias várias que me têm encaminhado para um tipo de vida extremamente ambulante e instável, em que a materialização de muitas das minhas ideias escultóricas não tinham lugar.

Assim a solução gráfica surgiu como opção de tempo e de defesa de, buscando a explicação mais primária, passar ao papel aquilo que eu não queria esquecer. No entanto as esculturas têm para mim uma relação directa com sensações físicas relacionadas com factores integrados na vida quotidiana. Espaço, peso, tensão, equilíbrio, ocupação de volume.

Perante todo o fenómeno de concepção e de realização de uma escultura há um período antecedente, que por sua vez pressupõe fases de gestação e de amadurecimento, o período de elaboração em si mesmo, em que o trabalho é sujeito a acrescentos e a alterações, e finalmente, um terceiro período em que milhares de ideias ficam a pairar no ar, como consequência de alternativas para soluções, para opções que poderiam ter sido tomadas e para as quais não houve seguimento porque outras foram escolhidas.

A série de serigrafias com objectos escultóricos em primeiro plano sobre paisagens ao fundo, tem neste terceiro período a sua explicação.

A par destes trabalhos há uma série de papéis de parede como proposta de decoração para vários apartamentos mobilados onde nos últimos anos vivi.

Um outro tipo, executado sobre serigrafias, com colagens de vários materiais, fotografias, recortes de jornais, com um conteúdo sócio-religioso, tem que ver com a orientação de um sentido de humor que ao longo do tempo fui desenvolvendo relacionado com os valores e princípios contidos numa sociedade de que creio ainda fazer parte e à qual ainda em certos aspectos me identifico.

Todos os trabalhos apresentados foram executados em Londres e em Liverpool, mas mais pela simples razão de me encontrar fisicamente lá.

O que fica por dizer, o que está por trás, a cultura, a aprendizagem da vida, a deformação religiosa, etc., etc., são profundamente Portuguesas. A elas fui vinculado e por elas marcado sem que mas dessem a escolher.

De resto, quanto às influências britânicas, penso que elas se sorvem melhor em Portugal, do que estando em Inglaterra, onde elas se podem seleccionar.

Lisboa, 2 de Dezembro de 1973

ALFREDO QUEIROZ RIBEIRO

 

 

 
 
 

 

 
Nasceu na Beira, Moçambique, em 1939.Foi criado no Porto.Curso de Escultura na Escola Superior de Belas Artes do Porto,de 1959 a 1964.De Abril de 1965 a Abril de 1969, interrompeu as suasactividades para fazer o serviço militar obrigatório (dois anosno continente e dois anos na Guiné).De Setembro de 1970 a Julho de 1972, estudou escultura naSaint Martin's School of Art, em Londres, como bolseiro daFundacão Gulbenkian.Presentemente, exerce as funcões de Senior Lecturer noDepartamento de Escultura dá Liverpool Polytechnic.Durante o curso, dedicou-se por fases periódicas à pintura e cerâmica, tendo, mais recentemente, trabalhado, ao mesmotempo, em escultura, serigrafia e litografia.Existem obras suas em várias colecções do país e doestrangeiro, tendo realizado, por encomenda, trabalhos paraentidades públicas e particulares.Foi Prémio Mestre Manuel Pereira do SNI, em 1964.

 

EXPOSiÇÕES COLECTIVAS 1959/65 Salão dos Novíssimos, Porto e Lisboa 1962 Centro de Arte, ÉvoraExposição Extra Escolar, Escola Superior de Belas-Artes do Porto 1964 Árvore, Porto; Escola Superior de Belas-Artes do Porto 1965 Exposição dos Artistas Premiados nos Salões dosNovíssimos, Lisboa 1966 Escola Superior de Belas-Artes do Porto 1969 Galeria Quadrante, Lisboa

 

EXPOSiÇÕES INDIVIDUAIS1964 Galeria Divulgação, Porto1965 Arvore, Porto1969 Galeria Alvarez, Porto1973 Liverpool Academy Gallery, Liverpool; Bluecoat Gallery, Liverpool; Fundação Calouste Gulbenkian